
A apuração sobre a morte do adolescente Luan Henrique dos Santos Leite, de 14 anos, ocorrida durante uma ação da Polícia Militar em Cambé, na Região Metropolitana de Londrina, ainda está em estágio inicial e sem posicionamento oficial do Ministério Público do Paraná (MPPR), conforme informou a defesa da família. O caso voltou a repercutir após parentes e amigos realizarem, nesta quinta-feira (21), uma manifestação na PR-445 pedindo justiça pela morte do estudante.
Em entrevista ao Portal Bonde nesta sexta-feira (22), o advogado da família, Guilherme Schuindt, afirmou que o laudo preliminar do Instituto Médico-Legal (IML) aponta que o adolescente foi atingido por um tiro no pescoço e por diversos disparos na lateral do corpo, com trajetória em direção às costas.
“Segundo o laudo do IML, houve um disparo na região do pescoço. Outros tiros atingiram a lateral do corpo seguindo para as costas. Por isso, a palavra ‘confronto’ não seria adequada, já que o adolescente não teria efetuado disparos”, declarou o advogado.
A defesa também contesta a conduta dos policiais envolvidos na perseguição que terminou com a morte do jovem. De acordo com Schuindt, os agentes possuíam armamentos não letais, mas optaram pelo uso de armas de fogo.
O advogado afirmou ainda que busca diálogo com representantes do MPPR e da Polícia Civil para acompanhar o andamento do inquérito. “O Ministério Público já poderia ter se manifestado, mas isso ainda não aconteceu. Estou tentando conversar com o delegado e com o promotor responsável para compreender o posicionamento deles e evitar conflitos nas versões apresentadas”, disse.
Além disso, a defesa relata que a família estaria sofrendo intimidações desde o ocorrido. Conforme Schuindt, após os protestos realizados na quinta-feira, o carro da família apareceu com um dos vidros quebrados.
Outro ponto que segue sendo investigado é um vídeo que circula nas redes sociais mostrando os momentos finais da perseguição. Segundo a defesa, os policiais teriam efetuado pelo menos 25 disparos. “Até o momento, a polícia não identificou quem gravou o vídeo. É importante que essa pessoa apareça”, completou o advogado.