
Poucos dias após Luan Henrique dos Santos Leite, de 14 anos, ser morto em um suposto confronto com a PM (Polícia Militar) em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), o sentimento que permanece entre familiares e amigos do adolescente é de revolta. O estudante foi abordado pela polícia após sair de uma lanchonete, na última quinta-feira (14), momento em que pilotava a moto de um amigo. Ele, que estava acompanhado de outro adolescente de 14 anos, fugiu dos agentes e foi alvejado na rua Equador. Segundo o BO (Boletim de Ocorrência), Luan estaria armado.
O outro adolescente não foi atingido pelos disparos, mas foi encaminhado para a Santa Casa de Cambé e recebeu alta hospitalar pouco depois. Desde a morte de Luan, familiares passaram a cobrar esclarecimentos sobre a ação policial e contestam a versão apresentada pela PM no boletim de ocorrência. A família já constituiu advogado e foi ouvida pela Polícia Civil na última segunda-feira (18).
“Eram 10h da noite e ele ainda não tinha chegado, e eu fui dormir. Quando me deitei, um amigo dele me ligou perguntando se o Luan estava em casa. Já fiquei assim [preocupada]. Quando peguei o celular, vi que havia acontecido um ‘confronto’ em Cambé. De repente, o amigo ligou de volta e me avisou que a polícia matou o Luan. Naquele momento, levantei gritando. Meu esposo, minha filha e eu começamos a gritar no apartamento.”
Desesperada, a família saiu pelas ruas de Cambé tentando localizar o local da ocorrência. Segundo a avó, a busca aconteceu em meio “ao choque e ao desespero”.
“Não conseguimos achar onde tinha acontecido esse ‘confronto’. Saímos desesperados, fomos para um lugar, fomos para outro. O meu marido estava a ponto de bater o carro”, afirmou Marilene.
Ao chegar à rua Equador, onde a perícia já fazia os levantamentos, Marilene conta que foi impedida de se aproximar do corpo do neto. Ela relatou ainda que policiais apontaram uma arma em sua direção quando tentou atravessar o isolamento da cena.
“Quando cheguei e vi aquele monte de polícia e o carro do IML (Instituto Médico Legal), joguei o meu chinelo do pé e saí correndo por debaixo da faixa. Os policiais me seguraram e um deles me apontou uma arma grande. Eu ergui a roupa e falei: ‘Por que você está apontando isso? Vai me matar também? Você não tem filho? Não tem família? Porque você acabou com a minha.’”