
Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (15), o jurista Pedro Serrano afirmou que o escândalo envolvendo o senador e pré-candidato à presidência da república, Flávio Bolsonaro, e o banqueiro Daniel Vorcaro, começa a “deixar claro” o porquê da mobilização para rejeitar, no Senado Federal, o nome de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga as fraudes do Banco Master.
“A rejeição do nome do Messias não tem a ver com o Messias, tem a ver com esse caso do Master”, declarou Serrano. “Havia um receio por parte dos senadores envolvidos nesse escândalo – que a gente vai daqui a um tempo descobrir que estão envolvidos – não à toa”, acrescentou o jurista.
Serrano ainda ressaltou que, por isso, o vazamento de informações sobre investigações são ruins, pois os envolvidos se preparam para as acusações. “Eles se articularam para negar o Messias por conta da investigação do Master, achando que o Messias lá – realmente ele é um sujeito extremamente ético – ia agir de forma a investigar o caso. Ajudar nos atos de investigação como ministro”, afirma Serrano.
“Eles sabem que estão sendo investigados, saiu aquela listinha dos políticos investigados. Tanto que o Ciro Nogueira estava intensamente envolvido na rejeição do nome do Messias. Então acho que essa foi a razão essencial”, completou o jurista.
“E agora, com esse negócio do Flávio aparecendo, começa a ficar claro por que se mobilizaram tanto para rejeitar o Messias. E acho que isso vai repercutir na área jurídica também. Vai se mostrando que a rejeição do Senado não se deu por nenhuma razão correta. A rejeição do Senado foi uma forma de tentar impedir uma investigação com relação aos próprios senadores”, analisou Serrano.
O jurista pontua que os argumentos utilizados para a rejeição do Advogado-geral da União foram políticos e ideológicos, e não baseados em uma possível falta de notório saber de Messias. “Um sujeito que tinha uma carreira pública como advogado público, formado em Universidade Federal, com mestrado e doutorado na Universidade Federal, um currículo extremamente qualificado. Foi advogado-geral da União e exerceu esse cargo com brilhantismo. Ninguém negou as qualidades jurídicas dele”, apontou Serrano.